domingo, 5 de agosto de 2012

Haziel-Parte X


 Sentia o coração dela batendo descompassado e seus lábios entre abertos o convidavam silenciosamente, ela o beijou novamente e suavemente como se temesse que ele agora fugisse. Haziel arqueou sobre ela e quando Joana aprofundou o beijo, ele se entregou ao que estava sentindo. Seu corpo vibrava ao toque dela e todas as sensações de Joana se misturaram as dele, deseja-a intensamente.
Passou a mão pelos cabelos dela, desenrolando os fios nas pontas dos dedos, afastou-se para contemplá-la. Percorreu o contorno de seus lábios com o polegar esquerdo, enquanto apoiava o peso do corpo no braço direito, Joana o segurava pela gola de sua surrada jaqueta preta. Emanava um medo irracional de que Haziel a rejeitaria. Será que ela não via o quanto ele a desejava?-pensou ele.
 Seus olhos percorreram a curva suave de seu pescoço, indo parar no escapulário que Joana trazia. Foi ele que ela segurou no dia do acidente, o dia em que tentou se matar. Haziel sabia que pertencia a Alberto, foi a única coisa do irmão que Joana pegou antes de sair da casa do pai.
Percebendo o olhar de Haziel, ela recuou um pouco e uma sombra negra pousou em seus olhos. Ele a encarou profundamente e sorrindo, abaixou-se beijando levemente a medalha do escapulário, Alberto era devoto de São Jorge.
Quando seus olhos se encontraram novamente, os olhos de Joana estavam marejados, Haziel os cobriu com beijos.
_Joana, eu também não vou a lugar nenhum. -sussurrou.
 Enlaçando-a pela cintura, ela a trouxe para junto de si, abraçando-a fortemente. Ele a beijou docemente, ela tremia e sua respiração entre cortada o entorpecia. Um gemido rouco escapou dos lábios de Haziel e deitando na areia fria e úmida da praia, trouxe Joana consigo.
  A lua cheia já banhava o oceano e derramava sobre ele sua luz, ao longe o som do vento ecoava nas dunas de areia que se formavam no final do grande calçadão. A orla estava deserta e a noite fria recebia uma ou outra gaivota que ainda planava por ali.
 Joana se entregou completamente, todo seu corpo vibrava, enquanto suas mãos percorriam o corpo de Haziel, gravando minuciosamente em sua mente todos os detalhes. A pele quente e macia, os pelos levemente arrepiados dos seus braços, o aroma de violeta que estava em toda parte e o sabor doce do seu beijo. Gravaria Haziel em sua mente e em seu coração. Sabia que nunca mais se esqueceria desse momento.

 _Joana... – Haziel acordou sobressaltado, chamando por Joana, sonhou que caia do céu, num abismo sem fim.
Olhou em volta, buscando-a, ela estava na beira do mar, encarava o oceano com o sol despontando tímido no horizonte, os braços em volta do corpo deixavam-na mais frágil e indefesa. Ele foi até ela, abraçou-a por trás, encaixando seu rosto na curva do pescoço dela, ela fechou os olhos e suspirou.
O dia estava nascendo mais uma vez e havia tido a noite mais maravilhosa da sua vida, ainda podia sentir o calor de Haziel, sua boca percorrendo todo seu corpo, seus corpos como um só e em seu ouvido ainda ecoava o som dos seus suaves gemidos... 
                           Continua...
                                  Anita dos Anjos



Desculpem a demora em postar, agradeço o carinho dos amigos blogueiros e continuem apreciando o Conto...

Beijinhos, bye.  


domingo, 10 de junho de 2012

Haziel-Parte IX



Abriu os olhos assustada, uma brisa suave tocava seu rosto e o ar cheirava a violeta. _Onde estou?-pensou. Sua cabeça latejava levemente e sentia um gosto horrível na boca. Sentou-se devagar, levando a mão aos olhos para cobrir a claridade, estava na praia. Recordava-se da noite passada, depois de beber um pouco, acabou na praia onde adormeceu na areia.
O cabelo desgrenhado estava sobre seu rosto, puxou o elástico do pulso e o prendeu em um rabo. Mirou o oceano, as ondas indo e vindo num ritmo suave, o mar estava totalmente calmo. Gaivotas planavam em busca de alimento. O sol pairava no céu sem nuvens.
Joana suspiro fundo. Estava cansada de fugir. Levantou-se sacudindo a areia da roupa, seria uma boa caminhada até em casa.
 A casa de Alberto e Aline. -pensou ela.

_Olha quem resolveu aparecer! –Aline estava deitada no sofá lendo quando Joana entrou. Pelo tom sarcástico de sua voz não estava nada contente.
_Precisamos conversar Aline.
_Estou muito ocupada agora!
Parada ao lado do sofá, encarando a amiga com os braços cruzados no peito em sinal de defesa, Joana enxugou uma lágrima que correu por sua face. Sentia-se exausta, mas queria dizer a Aline o quanto a amava.
_Eu te amo. Você não é somente uma amiga, mas também é uma irmã. Não quero mais fugir de você.
Nesse momento Aline fechou o livro e fitou Joana, que secava as lágrimas que desciam. Abriu os braços e num gesto de cabeça, chamou Joana para seu colo. Ambas se abraçaram.
Num soluço rouco e profundo, Joana deixou que viesse em torrentes toda dor que havia guardado durante todos aqueles meses e num piscar de olhos viu o último olhar do irmão, o olhar de preocupação que Alberto lançou a ela antes de morrer, ele temeu por ela. Então soube, que Alberto a amava e não havia morrido com raiva dela.
Ela se odiou e odiou o fato de ter sobrevivido, mas principalmente odiou a indiferença do pai. A culpa que ele lhe atribuiu.

Cinco dias depois.
Ela o avistou, ele estava sentado na areia, olhava intensamente o mar, uma leve brisa vinha com as ondas e o sol suavemente tocava o seu rosto. Sabia que o encontraria aqui, no mesmo lugar em que se beijaram. Ao se aproximar dele, sentiu um leve aroma de violeta. Parecia tão familiar. Sentia-se voltando pra casa.
Se ele percebeu sua aproximação, nada demonstrou. Imóvel, fixo, assim ele permaneceu.
Joana sentou ao seu lado e por alguns instantes ficou também imóvel fitando o mesmo mar que Haziel fitava, seu coração selvagem pulava dentro do peito, pedindo loucamente pra fugir.
A respiração irregular. Suas mãos tremiam e todo seu corpo vibrava. Como seu corpo podia responder assim a presença dele?
Será que ele sabia o efeito que causava?
Ela buscou sua mão, segurando-a. Levemente, como se ele a estivesse aguardando, ele a encarou, os grandes olhos castanhos mel encarando-a amorosamente. Naquele momento, ela soube que já não podia ficar longe dele e que todos os seus temores se tornariam reais, por que já o amava e temia mais que tudo perde-lo.
O sol ia se despedindo, o entardecer laranja avermelhado anunciando a noite. As ondas do mar ecoando ao longe nas pedras e a brisa salgada e suave soprando.
Se inclinando pra ele, ela o beijou, seu hálito quente e doce a deixaram inebriada e tonta. Aprofundou o beijo, segurando-o levemente pela nuca.
Recuou um pouco e tomando fôlego disse com a voz rouca e trêmula: _Não vou a lugar nenhum...

                                
Continua...
Anita dos Anjos


“A melhor parte do amor é perder todo senso da realidade.”


domingo, 25 de março de 2012

Haziel Parte VIII


 Encarava o copo a frente, como se ali houvesse as repostas para todas as perguntas que vinham à sua mente: Porque Alberto morrera naquela noite e não ela? Porque ainda queria viver? E a maior questão de todas: Porque amar Haziel, se um dia o perderia também?
Seus olhos focavam o copo, sons de pessoas conversando e rindo enchiam seus ouvidos. Sentia uma enorme vontade de se drogar, mas os trocados que tinha no bolso já haviam acabado. Que horas seriam? Talvez Aline estivesse preocupada com ela. Queria apenas que sua consciência se perdesse e todos os sentimentos que habitavam dentro dela desaparecessem, mas não havia bebido o suficiente. Sentia os lábios de Haziel sobre os dela, a respiração doce e irregular dele. Fugira! Como fugia agora das lembranças da morte de Alberto, do olhar de seu pai. Quando acordou alguns dias depois do acidente, Alberto já havia sido enterrado e ela não estava lá e não pode se despedir, seu pai a culpava, sentia que ele deseja que fosse ela e não Alberto, ela mesma desejava isso.
 Naquela noite choveu. Ela estava em alguma festa com o pessoal da faculdade, não se lembrava na casa de quem. Já havia bebido muito e todos insistiam para que ela fumasse seu primeiro cigarro de maconha, ficavam rindo e debochando dela. _Quantos anos você tem, Joana? Fuma logo essa porra e deixa de frescura... Ou será que a menina católica não pode se divertir?-todos a encaravam.
Estava entorpecida pela bebida, sua mente girava e ela só queria ir pra casa, já podia imaginar a reação do pai e de Alberto, mas não conseguia se mover, colocaram o pequeno cigarro entre seus dedos, instigando-a a tragar, colocou na boca e puxou o ar para dentro, quando a fumaça invadiu sua boca e seu nariz, tossiu. Tossia descontroladamente e todos a sua volta riam. Então inclinou pra frente vomitando, uma sensação de abandono tomou posse dela. Se não estava ali, onde estaria?_ Alberto, me ajude!-estaria falando isso em voz alta ou estava apenas em sua cabeça.
 Não sabe por quanto tempo apagou, levantou a cabeça e sentiu a sala girar, estava deitada em um sofá, havia vômito no chão. Sentou-se desajeitadamente tentando focar em alguma coisa, procurou pela bolsa, estava jogada em cima da mesinha de centro junto a garrafas e latas de cerveja. Revirou-a procurando por seu celular, ligaria para Alberto, ele viria buscá-la e talvez não tivesse que explicar nada a seu pai. Tudo ficaria bem.
Estava sentada nos degraus da escada, a cabeça apoiada no corrimão, olhava a entrada da rua com atenção. Onde estaria Alberto que não chegava? Avistou os faróis e o carro se aproximou, parando rente a calçada, ouviu-o buzinar. Ela levantou cambaleante, sentia que tropeçava nos próprios pés, o chão longe e próximo ao mesmo tempo. Alberto saiu do carro dando a volta, a expressão em seu rosto não era boa.
_Joana, você estava bebendo? O que você fez?-ele levou uma das mãos à cabeça em sinal de preocupação, parecia estar analisando a situação, no entanto sentiu a raiva dele chegar até ela.
_Que droga, Joana! Desde quando você esta bebendo? Papai vai te matar!-aproximou-se dela depois que percebeu que ela não conseguia abrir a porta do carro, ajudando-a a entrar no carro e colocando o cinto de segurança. Deu a volta rapidamente e quando entrou no carro, sentiu que Joana fedia a bebida e a maconha também; ele mesmo, uma vez quase experimentou, mas no final das contas disse que não queria e ponto final.
_Joana o que você fez?-ele a encarava, incrédulo. Quem seria aquela pessoa na sua frente? Não poderia ser sua irmãzinha. A mesma que brincava de boneca até pouco tempo atrás e que cantava no Coro da igreja.
_Eu não fiz nada demais. Dá pra gente ir pra casa?- a voz dela saindo embargada, grogue. E sorriu, um riso seco.
Alberto deu partida no carro, seu coração estava acelerado, não acreditava que Joana havia se transformado em outra pessoa bem debaixo do seu nariz e ele não havia percebido, talvez por estar tão envolvido em seu relacionamento com Aline, o noivado e os preparativos para o casamento, talvez tenha se distanciado demais de casa e de Joana. A culpa era dele.
_Eu não acredito que você esta bebendo e usando drogas! Desde quando Joana? Responde. -sua voz saia mais alto do que gostaria, tremia e seu coração estava agitado.
No banco ao seu lado, Joana encarava a estrada, não acreditava no sermão que Alberto estava lhe dando. Logo ele, ela pensou que ele entenderia. Agora ela estava na faculdade, podia experimentar as coisas. Já que vivia em constante vigilância sob os olhares do seu pai. As regras, os horários... Queria apenas saber como era ser como as outras adolescentes.
_Cala a boca Alberto!-disse trincando os dentes, quase num sussurro. Olhou pra ele e se arrependeu no instante seguinte de ter dito o que disse. O que estava acontecendo com ela? Porque estava falando assim com o irmão.
_O que? O que você disse?-ele mal acreditou ter a ouvido dizer isso.
Grandes gotas de chuvas começaram a cair e logo a chuva desabou, a noite pareceu escurecer ainda mais.
 Eles discutiram. Joana se lembra de estarem discutindo, Alberto dizendo a ela que não poderia jamais tratá-lo assim, que ele a amava e se importava com ela, enquanto Joana gritava que queria que todos a deixassem em paz, que desejava viver sua vida sem ninguém lhe dizendo o que fazer. Pedia para Alberto parar o carro, queria descer. Batia no braço do irmão, fazendo gestos e chorando descontroladamente.
 Foi de repente, no instante em que Alberto desviou o olhar da estrada para olhar pra ela, naquele espaço de tempo, que pareceu congelar, Joana viu os faróis do caminhão na direção deles. Tudo aconteceu tão rápido, Alberto tentou jogar o carro para o lado na tentativa de desviar do caminhão, mas ele os acertou bem do lado em que Alberto estava, jogando o carro de lado, os fazendo capotar algumas vezes. Ela sentiu o sangue na boca e tudo a sua volta parecia uma ilusão, um sonho. Como se ela apenas estivesse tendo um sonho ruim.
Não foi um sonho e quando acordou no hospital, sentiu claramente, com toda certeza do mundo, que ela também havia morrido no acidente, não somente Alberto.

Continua...
Anita dos Anjos


“Dai-nos forças, senhor,
Para aceitar com serenidade
Tudo o que não possa ser mudado.

Dai-nos coragem para mudar
O que pode e deve ser mudado.

E dai-nos sabedoria
Para distinguir uma coisa da outra.”  

Caros amigos, espero que apreciem a continuação de Haziel! Minha internet finalmente melhorou, coloquei uma via rádio!  Estarei atualizando o blog e visitando a todos, muitas saudades...
Beijinhos e bye! 

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